Livro - Diário de Bordo
Continuação...
Rio, segundo dia, banheiro da escola
Definitivamente eu estava enganada, as escolas brasileiras são to-tal-men-te diferentes das inglesas. Pra começar que coisas mais antiquadas é o uso de uniforme, qual é pra que isso? Depois cadê os armários e os corredores agitados, nem tem corredor aqui, sinceramente não sei como os adolescentes brasileiros sobrevivem nesse tipo de escola e esse é só o primeiro tempo.
My God!
Pelo o que percebi a hierarquia escolar existe nos mais distintos lugares do mundo. Quando chegamos eu e Sarah (filha da Ana que eu só vim conhecer hoje, por que ontem ela estava muito ocupada fazendo sei lá o que) demos de cara com umas garotas as quais eu logo percebi eram as ‘’manda-chuvas’’ da área. Elas foram bem mais “educadas” do que foram as de Londres, tentaram até fazer algum comentário maldoso, mas foram interrompidas por um garoto lindo, maravilho tudo de bom. Incrível como esse tipo de garoto existe em todo e qualquer lugar, não vou dizer que me apaixonei de cara (seriai clichê demais). Mas posso dizer que me encantei bastante, principalmente com o jeito que ele nos defendeu daquela garota mimada e insensível. O sinal está tocando, não vou agora, política minha. Aluna nova se quer chegar chegando, não pode ser pontual ninguém nota em gente pontual, não que eu não queira ser pontual odiaria isso, mas também é uma tática na maioria das vezes dispensa as apresentações humilhantes, vai por mim apresentação nunca é legal, acho melhor eu ir, está ficando tarde. Já são Sete e meia!
Rio de janeiro, ainda segundo dia, banheiro feminino segundo andar
Droga!Droga!Droga!Lembra da minha tática pra evitar apresentações, pois é não funcionou, e lembra que eu disse que apresentações são sempre humilhantes, nisso eu estava certa.
Quando bati na porta da sala fui recebida por um barulho incomum, qual é era aula de física todo mundo odeia física, pelo menos os normais. Quero dizer os que não são NERDS, mas o barulho não era de desordem era como se todo mundo estivesse se... divertindo. Mas se divertir na aula de física? Só no Brasil que isso é possível, bom continuando. Quando entrei quem me recebeu foi um professor baixinho, barbudo e muito simpático, totalmente diferente de como um dia eu imaginei um professor de física. Ele me recebeu muito calorosamente, se é que essa seja a palavra certa.
- Entre minha filha - foi logo dizendo em um tom de voz agradável
Fiquei um pouco, sei lá nervosa eu acho, e não me movi então o professor foi até a porta me buscar. Pois as mãos nas minhas costas e começou a empurrar, acho que fazendo uma cara engraçada como se eu fosse muito pesada, e me colocou no meio da sala bem na frente com todos me vendo.
-Vamos filha comece- ele disse, mas não entendi bem o que tinha que fazer.
-Ah, o que?- perguntei meio abobalhada
-A se apresentar, vamos. - naquele momento a ficha caiu. Ele queria mesmo que eu me apresentasse pra toda a sala?
- Nã-não- respondi eu, com certeza fazendo uma cara esquisita por que todos começaram a rir.
-Vamos, qual é? Não achou que ia entrar aqui e não ser forçada a se apresentar para todos os seus novos colegas, achou?
- Na verdade achei. – respondi.
- Que pena, pois bem se não se apresenta, eu faço as perguntas. – estremeci sabia que não vinha coisa boa por aí, e tinha razão.
- Me diga criança qual é a resultante de dois vetores com valores respectivamente doze e cinco que são perpendiculares entre si?
- Treze. Senhor - respondi inconscientemente não queria ter respondido, mas foi automático.
- Bom muito bom. Diga criança. Aonde você estudou ano passado?
- Em casa. - novamente respondi sem consciência, droga por que eu não conseguia mentir pra esse cara, isso estava me irritando.
- Como assim em casa, ninguém pode estudar em casa.
- Na verdade pode. Isso se o seu irmão e tutor é um maluco que trabalha viajando pelo mundo em um barco, e sem querer ofender senhor acho que já respondi perguntas demais a um estranho.
Depois dessa me virei e fui me sentar em uma carteira vazia no fundo da sala, atrás de uma garota que parecia bem legal quando se conhece melhor. Como eu podia dizer aquilo? Não sei só sabia. Notei também que a garota que tinha me recebido de forma nem um pouco “agradável” estava lá, mas nada do garoto que tinha nos defendido aquela manhã, vai ver não estava naquela turma, menos mau, ele não viu a minha apresentação desastrosa.
Rio de Janeiro, segundo dia, 19h21min, barco
Sabe, quando eu entrei na sala hoje de manhã e vi aquele professor maluco de física eu pensei “Puxa! Pelo menos não tem como o dia ficar pior”. Cara como eu estava enganada tinha sim, e foi logo na quarta aula que eu descobri isso. Era aula de geografia, minha matéria preferida, mas com uma professora como à senhora Margarida não tinha como geografia, que costumava ser divertido pra mim, ser assim tão legal. Ela era o tipo de pessoa á quem eu pagaria mil reais pra sumir. Fala sério como uma professora de uns trinta e poucos anos podia ser assim tão mau, além disso, ela tem bigode! Foi o que eu pensei assim que ela entrou na sala, mas acho que pensei alto demais por que todo mundo começou a rir, o que deixou ela mais irritada. Foi à pior aula de geografia que eu já tive que dizer não a pior até que foi divertido. Toda vez que a professora fazia uma pergunta pra sala toda eu meio que respondia tipo automaticamente, não podia fazer nada eu sabia as respostas. Pra minha sorte eu não fazia isso tão alto como eu tinha feito com a história do bigode, mas era alto o suficiente pra garota legal (que eu nem conhecia ainda) ouvir e repetir tudo sem um pingo de vergonha de errar. Como ela fazia aquilo?
- Qual a cidade portuária mais importante dos Estados Unidos? – perguntou a professora Margarida.
- Boston – sussurrei comigo mesma.
- Boston, professora – respondeu a garota a minha frente.
- Muito bem Renata. – ouvi a professora dizer.
E foi isso que eu ouvir pro mais umas quatro ou cinco vezes, pelo menos eu nunca ia esquecer o nome daquela garota, coisa que eu costumo fazer de vez em quando. Mas teve uma vez que a professora cansou daquilo tudo e parou de fazer perguntas, aparentemente elas não eram pra ser respondidas pelos alunos, foi aí que ela notou a minha presença.
- Hum... Vejo que temos uma aluna nova.
- Jura? – ouvir alguém dizer do outro lado da sala.
- Como é o seu nome?
- Mirela – respondi um pouco insegura, não queria outra apresentação humilhante.
- Ok, Mirela nos diga por que mudou de escola?
- Hã... Na verdade não mudei.
- É claro que mudou você é nova aqui não é?
- Sou, mas isso não quer dizer que eu tenha mudado de escola.
- Então o que quer dizer?
- Bom, é que eu não estava em uma escola antes.
- Ah... Então seus pais trabalham viajando e você foi educada em casa?
- É mais ou menos. Meu irmão trabalha, meus pais morreram quando estavam mergulhando no pacifico em busca de um navio que teria afundo naquela região, eram arqueólogos.
- Que pena deve ter sofrido muito.
- É um pouco morreram quando fiz doze anos então o meu irmão começou um projeto que envolvia viajar pelo mundo e eu tive que ir junto, estamos viajando desde então.
- Puxa você não vai à escola desde os doze anos! – a garota que sentava na minha frente disse- Que sorte.
- Nem tanto. – sussurrei para mim mesma, não ir a escola parecia ser uma boa coisa, mas isso por que eles não tinham que passar vinte e quatro horas com o Carlo.
- Tudo bem então pode sentar, e ah Renata quero uma redação sobres o relevo dos três maiores países do mundo, e Mirela pode ajudar ela se quiser já que passou toda aula soprando as respostas pra sua amiga, é só isso por hoje pessoal.
Pois é, é nisso que dá saber todas as respostas de geografia agora aqui estou eu com minha nova amiga Renata que é bem legal e meio “abirobada” no barco. Ainda não conseguimos fazer nada do trabalho, por que ela fica só fazendo perguntas sobre como é a vida em um barco ou quantos países eu já visitei. E eu respondendo com o maior prazer, sabe é legal conversar com alguém da sua idade de vez em quando. Agora só estou esperando o Carlo chegar com alguma coisa pra comer porque eu já meio que cansei de comer peixe, e comida francesa. Eca!
Rio, terceiro dia (segundo de escola), 7h, super atrasada.
Pois é, eu estou super-atrasada (isso está escrito certo), porém estou aqui escrevendo. Fazendo o que eu sempre faço me atrasando ainda mais, mas dessa vez eu não comecei a me atrasar por estar escrevendo dessa vez à culpa foi do Carlo, foi ele quem começou o dia dizendo que hoje tinha uma surpresa pra mim, eu sou meio sensível com esse negócio de surpresa se me disser que eu vou ter uma não resisto fico querendo saber o que é. E foi nisso que deu ele me dizer que hoje tinha uma surpresa fiquei implorando pra ele me contar, mas ele não contou, e é por isso que eu estou revoltada e agora estou escrevendo aqui me atrasando ainda mais pra escola. O Carlo está aqui tentando me fazer sair do banheiro, grande novidade, mas eu não saio então eu acho que ele desistiu e deve está vindo pelo outro lado do barco pra tentar arrombar a janelinha, mas ele não vai conseguir por que eu coloquei um pedaço de madeira impedindo a abertura da janela, agora ele está lá tentando e tentando já faz uns três minutos, o ombro dele já deve estar doendo de tanto bater em vão então eu acho que vou sair já me atrasei demais e também não quero deixar meu único irmão aleijado. Preciso que ele assine os formulários pra universidade.


onviver com àquela situação esquisita.Já não se importava com quem estava vendo. Naquele momento foi dominada por uma força perigosa, uma força chamada Amor.